Quando conheci a filosofia e a prática do Aikido há alguns anos atrás fiquei encantado com o propósito deste caminho marcial: encontrar soluções de harmonia para situações de conflito. E percebi que as tensões, os conflitos e as resistências, ou seja, as situações difíceis são as melhores ocasiões para o Aikido expressar a sua vocação restauradora.
O processo de aprendizagem no Aikido é ainda mais especial: aprende-se com o corpo e no tatame estratégias sutis para resolver desafios de um modo inteligente, equilibrado e centrado. Logo essa sensação de liberdade vivida pelo corpo convence o praticante de que para cada situação difícil existe um universo enorme de escolhas possíveis e inexploradas. Talvez a origem dos sofrimentos seja a ausência de escolhas.
A crise é a matéria prima do Aikido. É o alimento e a grande mestra. É o desafio que faz crescer e gera o movimento. Na aceitação da crise nasce a criatividade, o inusitado, o surpreendente e a magia. Com esse sentimento de querer aplicar a filosofia do Aikido em situações difíceis fora do tatame que aceitei alguns desafios:
- Que tal educar crianças e jovens com Aikido para construir uma cultura de paz em comunidades carentes?
- Que tal falar de cordialidade marcial com empresários e lideranças educados para vencer a qualquer preço?
- Que tal aproximar a estratégia do guerreiro com a sensibilidade dos artistas?
- Que tal usar o Aikido como uma linguagem corporal para ajudar no desenvolvimento mental de jovens excepcionais?
- Que tal promover a paz e a convivência pacífica entre árabes e judeus no Oriente Médio por meio do Aikido?
Estas perguntas estão na raiz dos projetos da Harmonia em Ação que tiram o Aikido do tatame e ousam a integração onde há dualidade, conflito e medo. Nesta jornada surgem aventuras de integração, conquistas, encantamento, cura, inspiração e, claro, novos desafios. Uma trama de histórias de cidadãos e cidadãs relembrando a vocação humana para o diálogo, para a cooperação e para a harmonia.
José Bueno
Maio 2009