Ouvi falar pela primeira vez sobre o Aikido em 1984 durante um curso introdutório de medicina chinesa em São Paulo. Um dos professores teve a intuição que eu gostaria do Aikido. Anotei o endereço para conferir. Naquela época, não havia internet, google, websites, celulares e nem mesmo um telefone fixo para ligar e pedir informações. Arrisquei uma visita e me deparei com um pequeno e velho prédio residencial no bairro do Glicério. Nenhuma placa, nenhuma pista. Entre os vizinhos na Rua das Carmelitas havia um cortiço onde moravam prostitutas e travestis, um sindicato e um boteco.
No térreo uma pequena igreja evangélica reunia crentes que gritavam aleluias. Nunca soube se as preces foram atendidas na mesma intensidade com que rezavam. Ao chegar ao segundo andar, duvidando que fosse achar a escola recomendada, encontrei uma pequena porta com uma pequena placa onde se lia: Aikido. Entrei e lá estava um professor que se preparava para começar um treino com alguns poucos alunos. Fui convidado a participar desta aula e não pensei duas vezes. Fiquei encantado com a atmosfera, a prática e a filosofia de harmonia do Aikido. Nunca mais parei de treinar. Este lugar era a antiga sede da Associação Pesquisa de Aikido. O professor era Ono Sensei, um dos mais antigos e respeitados mestres no Brasil.
Entre os alunos desta escola a maioria era da colônia nipônica. Noventa por cento do que ouvia nos treinos era em língua japonesa e os brasileiros eram tratados curiosamente como gaijin ou gaikokujin (estrangeiro) dentro do Dojo. Achava meio estranho receber este tratamento, mas decidi ir fundo para ser aceito neste clube fechado. Freqüentava o bairro da Liberdade, lia haikai, ouvia taiko, shamisen e shakuhati, conheci o buto, estudava kanban e radio-taisso, provei o soba, o sashimi e o yakisakana, aprendi a pintura sumi-e, cantava em karaokê e, claro, estudava japonês.
Em 1994, inaugurei o Dojo Harmonia e o Aikido passou a ocupar um espaço central na minha vida. Deixei de lado a tola idéia de me tornar japonês e passei a expressar cada vez mais minha natureza meio carioca/meio paulistana. O resultado final desta mistura está nos três projetos que coordenoesenvolvo como professor, como empreendedor social e como facilitador em:
1. O Dojo - o CORPO. O centro de treinamento na arte Aikido, a formação de faixas-pretas, a prática, as técnicas, a disciplina e a aprendizagem pela experiência.
2. A Ação Voluntária - o CORAÇÃO. Aikido como ferramenta de inclusão social; a formação de valores através da formação no caminho do Aikido; a criação de uma cultura de paz em ambientes de violência; crianças, jovens e responsabilidade social.
3. A Consultoria - a MENTE. Palestras, demonstrações e workshops em ambientes corporativos; a metáfora do Aikido como inspiração para lideranças; princípios para boa resolução de conflitos; uma nova visão para oportunidades nos negócios e nas relações.
Nasci no Rio de Janeiro em julho de 1960. Aos 12 anos minha família mudou-se para São Paulo onde vivo até hoje. Me formei em Arquitetura na USP e tenho dois filhos de duas relações: o Danilo que além de filho é parceiro e o Daniel que encontrou na música a sua vocação. Vivo hoje com Daia e Toró, o nosso gato inteligente. Adoro jogar tênis, frescobol e ping-pong. Toco violão e gosto de intérpretes com voz rouca. Aprecio uma boa cachaça e um bom charuto de vez em quando. Aprendi a correr depois dos 40.
Minha meta agora é a meia maratona. Sou curioso, otimista e torço para Lusa. Acredito na harmonia e trabalho por isso. Já fiz Yoga, estudei astrologia, cresci em Copacabana e passei um mês no Japão. Adoro uma gargalhada e já fiz pessoas chorarem. Odeio rotina, operei o menisco, nunca tive patrão, falo francês, faço o que penso, gosto de uma boa conversa e não sou econômico. Minha casa tem uma varanda com vista para um bosque e alguns me chamam de Zé. Sou muito grato por tudo e todos que de um jeito ou de outro fizeram parte da minha jornada até aqui.